Estreia na Presidência: Primeira Sessão da Comissão da Mulher com Erika Hilton termina em Gritos, Microfone Cortado e Zero Aprovações
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A tão aguardada estreia da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) na presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher (CMULHER) da Câmara dos Deputados, nesta quinta-feira (19), foi marcada por intenso tumulto, brigas verbais, cortes de microfone e a suspensão dos trabalhos sem que nenhum item da pauta fosse votado. O episódio reflete a profunda polarização ideológica que cerca a presença da primeira mulher trans no comando do colegiado.
Atmosfera Hostil e Obstrução Total
Desde os primeiros minutos, o ambiente na sala da comissão estava saturado de tensão. Deputadas da oposição, majoritariamente ligadas ao Partido Liberal (PL) e ao bloco do "Centrão", mobilizaram-se para obstruir qualquer tentativa de início das votações. O argumento central, repetido em coro e em cartazes, era de que uma mulher trans não teria "legitimidade biológica" para representar os anseios e as pautas específicas das mulheres cisgênero.
Manifestações visuais de protesto foram organizadas, com parlamentares exibindo camisas com frases como “Não somos esgoto. Não somos cadelas. Somos mulheres. Respeite”. Em um momento simbólico de resistência ao comando da comissão, algumas deputadas oposicionistas chegaram a comparecer com as bocas vendadas por fita adesiva, alegando censura prévia.
O Momento do Corte e a Suspensão
Erika Hilton tentou conduzir a sessão seguindo o regimento, mas foi constantemente interrompida por gritos de "respeito" e questionamentos sobre sua identidade de gênero. O clímax do desentendimento ocorreu durante a fase de debates sobre a ordem do dia. Uma deputada da oposição, que excedeu o tempo de fala regulamentar e ignorou os alertas da presidência para encerrar, teve o microfone cortado por ordem direta de Hilton.
A medida inflamou ainda mais os ânimos. O plenário da comissão transformou-se em um cenário de gritaria generalizada, com parlamentares de ambos os lados levantando-se e batendo boca. Diante da impossibilidade total de manter o diálogo e a ordem, e com a pauta de votações paralisada, Erika Hilton viu-se forçada a suspender a sessão.
Futuro Incerto e Recurso Contra Eleição
O resultado prático da primeira sessão sob o comando de Hilton foi nulo em termos de avanços legislativos para as mulheres. A pauta continha projetos importantes sobre combate à violência doméstica e saúde da mulher, que agora aguardam nova data para discussão.
Fora do plenário da comissão, a batalha continua. Parlamentares da oposição já protocolaram um recurso junto à Presidência da Câmara contestando a eleição de Erika Hilton, ocorrida no último dia 11. O recurso alega que os votos em branco (12) superaram os votos favoráveis (10) e que, como não havia outra candidata concorrendo, deveria ter sido realizada uma nova eleição com um nome consensual. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), deve analisar a peça nos próximos dias.
Fontes Consultadas:
Estadão: Primeira sessão da Comissão da Mulher com Erika Hilton não aprova nada e tem microfone cortado.
Poder360: Oposição aciona Motta contra eleição de Erika Hilton na Comissão da Mulher; Sessão é marcada por tumulto.
Amazonas Atual: Sessão da Comissão da Mulher com Erika Hilton tem microfone cortado e tumulto.
Câmara dos Deputados - 57ª Legislatura - 4ª Sessão Legislativa Ordinária
