Contas Públicas Fecham no Vermelho em Agosto
Rombo de R$ 13,6 bilhões foi puxado por custos eleitorais e aposentadorias, mas ficou abaixo do esperado por analistas.

As contas do governo federal fecharam o mês de agosto no vermelho, registrando um déficit primário (termo técnico usado quando as despesas públicas superam a arrecadação de impostos, sem contar o pagamento dos juros da dívida) de R$ 13,6 bilhões. O relatório oficial foi apresentado pela Secretaria do Tesouro Nacional, órgão do Ministério da Fazenda responsável por administrar os recursos públicos da União.
Apesar do resultado negativo, o desempenho surpreendeu positivamente as estimativas do mercado financeiro. As projeções reunidas no relatório Prisma Fiscal (pesquisa mensal da Fazenda que calcula a média das previsões feitas por economistas e bancos) apontavam um buraco maior para o mês, na casa dos R$ 16 bilhões. Na comparação com agosto do ano passado, quando o saldo negativo corrigido pela inflação superou R$ 16 bilhões, o número atual representa o melhor resultado para um mês de agosto dos últimos cinco anos.
O que puxou as despesas no mês
O resultado do chamado Governo Central (bloco que reúne as contas do Tesouro Nacional, da Previdência Social e do Banco Central) mostra uma divisão clara entre dois lados da balança financeira:
Tesouro Nacional e Banco Central: Fecharam agosto com um superávit (quando sobra dinheiro no caixa após pagar os compromissos) de R$ 5 bilhões, ajudados pela entrada regular de tributos federais.
Previdência Social: O sistema público que paga aposentadorias, pensões e auxílios aos trabalhadores registrou um saldo negativo de R$ 18,6 bilhões, anulando a folga do Tesouro e jogando a conta geral para o terreno negativo.
Além do peso histórico dos benefícios previdenciários, agosto foi impactado diretamente pelo calendário político. O Tesouro precisou liberar cerca de R$ 4,9 bilhões para abastecer o Fundo Eleitoral (reserva de recursos públicos prevista em lei para custear as campanhas eleitorais). Como o ano anterior não teve eleições gerais, essa despesa extraordinária não constava na base de comparação passada.
Arrecadação cresce, mas despesas seguem em ritmo acelerado
A arrecadação líquida da União teve alta real de 3,5% acima da inflação em agosto, gerando um ganho de R$ 6,3 bilhões para os cofres públicos. Esse fôlego foi impulsionado pelo mercado de trabalho aquecido, com mais pessoas com carteira assinada, e pela reoneração da folha de pagamento (a volta gradual da cobrança de impostos previdenciários integrais sobre os salários pagos por empresas de diversos setores).
No entanto, o aumento nas receitas foi acompanhado pela elevação contínua das despesas obrigatórias. Embora as despesas discricionárias (gastos que o governo tem liberdade para planejar ou cortar, como investimentos em estradas, obras e compras de equipamentos de ministérios) tenham encolhido em áreas como saúde e infraestrutura, a alta vegetativa no número de aposentados e reajustes salariais impediu que o país fechasse o mês com saldo positivo.
O saldo das contas no acumulado do ano
De janeiro a agosto, o déficit acumulado pelo governo federal atingiu R$ 94,9 bilhões — valor superior aos R$ 85,9 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. No acumulado dos oito meses, as receitas da União cresceram R$ 90 bilhões, mas foram engolidas por um avanço de R$ 96,3 bilhões nas despesas totais.
A equipe econômica do governo federal mantém o compromisso de buscar o equilíbrio fiscal até o encerramento do exercício anual, monitorando os gastos previdenciários e apostando no aumento de receitas tributárias para evitar novos cortes no orçamento dos ministérios na reta final do ano.
Fontes Consultadas
Secretaria do Tesouro Nacional (STN): Relatório de Resultado do Tesouro Nacional — Governo Central (Agosto de 2026).
Ministério da Fazenda: Boletim Prisma Fiscal e pronunciamentos da Secretaria de Política Econômica.
Previdência Social (INSS): Estatísticas da Previdência Social e fluxo de pagamentos de benefícios urbanos e rurais.
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