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Ajuste de Milei corta novos aposentados pela metade na Argentina

há 8 horas
2 min de leitura

As medidas econômicas e o rigor fiscal implementados pelo governo do presidente Javier Milei provocaram uma queda drástica na concessão de novos benefícios previdenciários na Argentina. O número de novos aposentados despencou 53% quando comparado o primeiro semestre de 2024 ao mesmo período de 2026. Em números absolutos, as concessões caíram de 213,9 mil para apenas 99,6 mil pessoas, segundo registros oficiais dos Boletins Estatísticos da Previdência Social (BESS) do país vizinho.   

O fim da regra que facilitava o acesso

O principal motor desse recuo expressivo foi a decisão do governo de não renovar a chamada moratória previdenciária (mecanismo que permitia a trabalhadores com idade mínima legal, mas sem os 30 anos exigidos de recolhimento formal, acertar as pendências de contribuição de forma parcelada).   


Com o encerramento do recurso, centenas de milhares de trabalhadores que atuaram a vida inteira na informalidade — sem carteira assinada ou com falhas nos registros de empregadores — ficaram impedidos de ter acesso ao benefício regular.


Sem a moratória, a única saída disponível para a maioria desses cidadãos é a Pensão Universal para Idosos (PUAM), um auxílio assistencial que paga apenas 80% do valor de uma aposentadoria mínima e exige idade mais avançada para mulheres, sem permitir o repasse da pensão por morte para o cônjuge sobrevivente.


Salário arrochado e perda do poder de compra

Além de fechar a porta de entrada para novos beneficiários, a política do governo argentino mexeu na fórmula de correção dos pagamentos. O modelo atual atrela os reajustes exclusivamente à inflação oficial medida pelo órgão estatal de estatísticas, eliminando qualquer mecanismo de ganho real (aumento salarial que fica acima da inflação e traz avanço real no poder de compra).   


Na prática, a trava impediu a recuperação do padrão financeiro dos idosos após os picos inflacionários sofridos pelo país. Especialistas apontam que as aposentadorias acumulam uma perda real superior a 21% no período.

Indicador Previdenciário (Argentina)

Situação / Valor Atual (Outubro de 2026)

Queda de novas concessões

-53% (de 213,9 mil para 99,6 mil)

Piso mínimo com bônus

$ 505.748,51 pesos (cerca de R$ 1.662)

Custo de vida básico estimado

$ 2.090.646 pesos (cesta de necessidades do idoso)

Cobertura do piso mínimo

Cobre apenas 25% dos gastos vitais

O peso da crise no prato e nos remédios

Com o piso fixado em pouco mais de 505 mil pesos argentinos já incluindo o bônus extraordinário de 70 mil pesos pago pelo Estado aos valores mais baixos, a conta do dia a dia não fecha.   


Conforme levantamento da organização Espaço Gerontovida, que monitora a qualidade de vida da terceira idade em Buenos Aires, a cesta básica essencial para uma pessoa idosa custa atualmente mais de 2 milhões de pesos mensais. O rendimento básico cobre apenas um quarto das necessidades de sobrevivência.


O cenário de aperto inclui também cortes e restrições na distribuição gratuita de medicamentos essenciais pelo PAMI (plano de saúde público voltado a aposentados e pensionistas na Argentina). Esse quadro tem alimentado protestos semanais de associações de aposentados e sindicatos nas imediações do Congresso Nacional, na capital argentina.


Fontes Consultadas

  • Boletins Estatísticos da Previdência Social (BESS) – Ministério do Capital Humano / Argentina

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