Clima esquenta no tribunal: Mendonça reage após cobranças de Moraes e pede para encerrar processo de vez
Ministro da corte mais importante do país enviou documento oficial dizendo que não cometeu erros e cobrou que as atitudes do colega também sejam investigadas.

Quem olha de longe para o imponente prédio do Supremo Tribunal Federal, na Praça dos Três Poderes em Brasília, costuma imaginar um lugar de calma absoluta, onde juízes com capas pretas conversam apenas por meio de termos difíceis e decisões discretas. Mas, nos bastidores do poder, o clima esquentou como poucas vezes se viu na história recente do país. Dois dos nomes mais conhecidos da Justiça brasileira entraram em confronto aberto, trocando acusações duras que agora foram parar diretamente nas mãos do chefe do tribunal.
O ministro André Mendonça decidiu romper o silêncio e respondeu com firmeza às queixas apresentadas pelo colega de plenário, o ministro Alexandre de Moraes. Em um documento detalhado, Mendonça pediu que a queixa contra ele seja cancelada imediatamente e aproveitou para apontar o dedo de volta, cobrando apuração sobre a conduta do próprio acusador.
O que causou o bate-boca entre os dois ministros?
A desavença pública começou durante debates internos sobre investigações complexas conduzidas pela Polícia Federal que envolvem fraudes financeiras e supostos esquemas ilegais.
Alexandre de Moraes formalizou uma representação (que é o nome técnico dado a uma reclamação oficial feita por escrito para pedir que a Justiça investigue uma autoridade). No pedido, Moraes acusava Mendonça de agir para beneficiar grupos políticos e de tentar forçar depoimentos de testemunhas para atingir outros ministros. Moraes chegou a citar desconfianças sobre como foram obtidos relatos em uma delação premiada (acordo previsto em lei no qual um acusado confessa seus crimes e entrega detalhes sobre outros envolvidos em troca de uma pena menor).
A resposta de Mendonça não demorou e veio em tom contundente, deixando claro que não aceitará passivamente as acusações no tribunal.
A reação de Mendonça: pedido para mandar o caso para a gaveta
No documento enviado a Edson Fachin — atual presidente do STF (Supremo Tribunal Federal, a corte mais alta da Justiça brasileira, encarregada de guardar a Constituição e dar a palavra final sobre as leis do país) —, Mendonça rebateu cada uma das queixas e fez exigências duras:
Arquivamento sumário da denúncia: Mendonça exigiu o arquivamento sumário (o encerramento imediato de um processo, cancelando tudo sem dar início a um julgamento longo). Ele argumenta que a reclamação de Moraes não tem base em fatos reais nem apoio em provas concretas.
Denúncia de métodos questionáveis: O magistrado afirmou que Moraes estaria agindo com parcialidade (quando um juiz não mantém a neutralidade obrigatória e toma partido em uma disputa) na condução de inquéritos.
Pedido de investigação: Mendonça pediu formalmente que a presidência do tribunal apure se Moraes cometeu abuso de autoridade (crime que ocorre quando uma pessoa com poder público ultrapassa os limites permitidos por lei para prejudicar ou perseguir alguém).
Para sustentar sua defesa, Mendonça tornou públicos relatórios de mensagens e ofícios trocados com autoridades policiais, afirmando que sempre agiu dentro das quatro linhas da legislação e que não tem qualquer receio de prestar contas sobre seus atos.
O que acontece a partir de agora?
Com a troca de farpas exposta publicamente em Brasília, todas as atenções se voltam para a mesa do presidente do tribunal, Edson Fachin.
Caberá a Fachin tomar a decisão inicial: ele pode aceitar o pedido de Mendonça e extinguir o procedimento sem maiores desdobramentos, ou pode solicitar pareceres a outros órgãos, como a Procuradoria-Geral da República, para avaliar se há motivos para dar andamento aos pedidos.
Enquanto a decisão não sai, a disputa expõe uma divisão incomum na cúpula do Judiciário brasileiro, mostrando que as divergências entre os magistrados que julgam o destino político e jurídico da nação deixaram as salas secretas de reunião e ganharam a luz do dia.
Fontes Consultadas
Supremo Tribunal Federal (STF) – Manifestações oficiais e petições protocoladas junto à Presidência da Corte.




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