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Operação Última Parada: Vereador de SP e Cúpula de Empresa de Ônibus são Presos por Lavagem de Dinheiro do PCC

  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Força-tarefa do Ministério Público e da Polícia Civil cumpre mais de 100 mandados em ofensiva que revela como o crime organizado asfixiou o transporte público paulistano e inflou o capital de concessionária em mais de 50.000%.

Na manhã desta quinta-feira, 25 de junho de 2026, as estruturas políticas e operacionais do transporte público de São Paulo sofreram um forte abalo. O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em conjunto com a Polícia Civil (Deic), deflagrou a Operação Última Parada.

A ação mira um sofisticado esquema de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de ônibus municipal, resultando na prisão temporária do vereador paulistano Senival Moura (PT), de lideranças da facção e de integrantes da diretoria da concessionária Transunião Transportes S.A.


O Balanço das Apreensões e Alvos da Ofensiva

As investigações apontam que a Transunião, responsável por operar 51 linhas de ônibus na Zona Leste da capital e transportar cerca de 389 mil passageiros diariamente, funcionava como uma gigantesca lavanderia de dinheiro para o crime organizado. Diante da gravidade dos fatos, a Justiça determinou o bloqueio imediato de bens e o afastamento completo da atual diretoria da empresa.

Os números mobilizados pela decisão judicial dão a dimensão do volume financeiro movimentado pela organização:

Categoria do Ativo

Impacto da Ordem Judicial

Bloqueio Bancário

R$ 194,4 milhões congelados em contas vinculadas

Frota Sequestrada

117 veículos (incluindo ônibus urbanos e automóveis)

Patrimônio Imobiliário

21 imóveis sequestrados pelas autoridades

Bens de Luxo

3 embarcações retidas

Mandados Totais

5 prisões temporárias e 104 ordens de busca e apreensão

Além do parlamentar, foram detidos Jair Ramos de Freitas, conhecido como "Cachorrão", e Leonel Moreira Martins, ambos apontados como membros estratégicos do PCC na gestão financeira dos coletivos. Devanil de Souza Nascimento, o "Sapo", assessor e homem de confiança de Senival Moura, também foi preso. O presidente da companhia, Lourival de França Monário, figura entre os principais alvos investigados.


Como Funcionava a Lavanderia sobre Rodas

O ponto de partida que desvendou a engenharia financeira criminosa foi o assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-presidente da Transunião, executado em 2020. A partir daquele homicídio, a Polícia Civil e o Gaeco passaram a rastrear o fluxo de caixa e as alterações no quadro de sócios da empresa.

Os investigadores descobriram uma evolução patrimonial impossível de se justificar por vias estritamente legais. O capital social da Transunião saltou de pouco mais de R$ 100 mil para astronômicos R$ 50 milhões sem que houvesse qualquer aporte ou origem lícita declarada.

O Núcleo Paralelo: Segundo o inquérito policial, um comitê informal e clandestino operava dentro da Transunião. Esse grupo direcionava fatias expressivas dos subsídios repassados pela Prefeitura de São Paulo — que apenas em 2025 superaram a marca de R$ 300 milhões para a empresa — diretamente para contas controladas por laranjas e lideranças da facção criminosa.

O vereador Senival Moura, que até então presidia a Comissão de Trânsito e Transporte da Câmara Municipal de São Paulo — ironicamente o órgão responsável por fiscalizar o setor —, utilizava seu próprio escritório político para armazenar planilhas informais de controle de frotas e fluxos de caixa da Transunião. Relatórios apontam que ele controlava ao menos 13 ônibus integrados à frota por meio de CPFs de familiares e assessores.


Conexões Internacionais e Próximos Passos

A Operação Última Parada não é um fato isolado. A força-tarefa confirmou que os dados obtidos cruzam caminhos com outras grandes frentes de combate à lavagem de dinheiro em São Paulo, como as operações Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi — esta última conduzida pela Polícia Federal para desarticular a rota de tráfico internacional do PCC em parceria com a máfia italiana 'Ndrangheta.


Em nota oficial, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, declarou que o município aguarda a notificação jurídica para avaliar as sanções cabíveis e assegurou que as linhas da Transunião continuam operando normalmente para não prejudicar a população. A defesa do vereador Senival Moura manifestou indignação com a prisão temporária, alegando que a medida é desproporcional e ocorre às vésperas do período eleitoral. O espaço para a manifestação dos demais citados segue aberto.


Fontes de Consulta

  • Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) – Coletiva de Imprensa do GAECO.

  • Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) – Inquérito Policial sobre a Transunião Transportes S.A.

  • Câmara Municipal de São Paulo – Atas da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica.

  • SPTrans (São Paulo Transporte S.A.) – Dados de linhas operadas e repasses de subsídios públicos.

  • Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) – Mandados de Sequestro de Bens e Prisões Temporárias.

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