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Professora da Unicamp é Investigada por Furto de Vírus de Laboratório de Alta Biossegurança

  • há 7 dias
  • 3 min de leitura

A comunidade científica brasileira foi surpreendida nesta semana com a notícia de que uma professora e pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está sendo investigada pela Polícia Federal (PF) sob a suspeita de ter furtado material biológico — especificamente amostras virais — de um laboratório da instituição. O caso gerou alerta devido à natureza do material manipulado e aos rígidos protocolos de segurança envolvidos em laboratórios de biologia.

A docente, identificada como a argentina Soledad Palameta Miller, doutora na área de Ciência de Alimentos com carreira voltada para biotecnologia e saúde, foi presa em flagrante pela PF na segunda-feira, 23 de março de 2026. A operação ocorreu após a própria universidade comunicar o desaparecimento de itens do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada, vinculado ao Instituto de Biologia.


O Material e o Local do Suposto Furto

Segundo informações da Polícia Federal e detalhes de termos de audiência de custódia, as amostras subtraídas consistem em organismos geneticamente modificados (OGMs) ou seus derivados virais. O laboratório de onde o material foi retirado é classificado com Nível de Biossegurança 3 (NB-3), um setor de alta contenção destinado à manipulação de agentes que representam sério risco à saúde humana ou animal e ao meio ambiente, exigindo rigorosos protocolos de controle de acesso, ventilação e manuseio.

Imagens de câmeras de segurança teriam registrado a ação de retirada do material. O inquérito aponta que a professora, que não possuía acesso próprio ao localNB-3, teria contado com o auxílio de terceiros, possivelmente uma aluna, para abrir as portas.


Descarte Irregular e Recuperação

Após o furto, a investigação localizou as amostras virais espalhadas em diferentes freezers de outros laboratórios dentro da própria Unicamp, especificamente na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), para onde a pesquisadora prestava serviços. O material foi encontrado aberto e manipulado, armazenado de forma irregular.

Além da distribuição inadequada em freezers, os agentes da PF identificaram que uma grande quantidade de frascos vazios ou contendo resíduos biológicos foi descartada em lixeiras comuns no Laboratório de Cultura de Células, o que acendeu um alerta para riscos de biossegurança interna.


Desdobramentos Jurídicos e Resposta da Universidade

A Polícia Federal garantiu que todas as amostras foram recuperadas e que os vírus permaneceram apenas dentro do ambiente universitário, descartando o risco de contaminação externa para a população de Campinas e região. O material recuperado foi encaminhado ao Ministério da Agricultura, com apoio técnico da Anvisa, para análise e identificação.

A Justiça Federal concedeu liberdade provisória à professora Soledad Palameta Miller na quarta-feira, 25 de março. A soltura foi condicionada ao cumprimento de medidas cautelares rigorosas, incluindo:

  • Comparecimento mensal em juízo.

  • Proibição total de acesso aos laboratórios da Unicamp relacionados à investigação.

  • Proibição de ausentar-se da cidade de Campinas por mais de cinco dias sem autorização judicial.

  • Proibição de sair do país, com retenção do passaporte.

  • Pagamento de fiança equivalente a dois salários-mínimos.

A docente responderá em liberdade pelos crimes de furto qualificado, fraude processual, transporte irregular de organismo geneticamente modificado e por expor a vida ou saúde de terceiros a perigo. Durante a prisão, ela optou pelo direito constitucional ao silêncio.

A defesa da professora afirma que não há materialidade nas acusações de furto, alegando que ela utilizava estruturas da universidade por não possuir laboratório próprio e que o transporte de materiais visava a continuidade de pesquisas.

Em nota oficial, a reitoria da Unicamp informou que abriu uma sindicância interna para apurar os fatos e reforçou que mantém cooperação integral com as autoridades competentes para o esclarecimento das circunstâncias em que o ocorrido se deu. O caso segue sob sigilo judicial.


Fontes Consultadas:

  • Migalhas. "Professora da Unicamp suspeita de furtar vírus de laboratório obtém liberdade provisória". Migalhas, [Acesso em: Data Atual].

  • Polícia Federal. "PF investiga furto de material biológico em laboratório da Unicamp". Governo Federal, [Acesso em: Data Atual].

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