Tarifaço de Trump: Veja quais produtos brasileiros ficaram de fora da taxa de 25% proposta pelos EUA
- 2 de jun.
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A nova ofensiva comercial de Washington acendeu o sinal de alerta no mercado exportador brasileiro, mas trouxe um alívio inesperado para setores estratégicos da economia nacional. Após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propor uma tarifa punitiva de 25% sobre uma ampla gama de produtos importados do Brasil, uma extensa lista de exceções de 73 páginas revelou que as maiores joias da nossa pauta de exportação foram poupadas do "tarifaço".
A medida ocorre após a conclusão de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, iniciada pelo governo de Donald Trump no ano passado. O relatório final da autarquia norte-americana concluiu que certas práticas comerciais e regulatórias do Brasil — incluindo o mercado de etanol, a regulação de plataformas digitais e o protagonismo do sistema de pagamentos instantâneos (Pix) — restringem ou oneram o comércio dos EUA. No entanto, o peso estratégico das commodities brasileiras nas cadeias de suprimentos globais forçou a Casa Branca a abrir concessões importantes.
A Lista dos Isentos: O Que Escapou do Imposto de Trump
A proposta norte-americana poupou setores vitais que abastecem indústrias e consumidores nos Estados Unidos, evitando um choque inflacionário interno na economia americana.
Setor Econômico | Principais Produtos Poupados da Tarifa | Peso Estratégico para os EUA |
Agronegócio | Café, carne bovina, frutas selecionadas e castanhas. | O Brasil é o maior fornecedor global de café e peça central na segurança alimentar global. |
Aeroespacial | Aeronaves comerciais e peças aeronáuticas. | Essencial para a cadeia de suprimentos da aviação regional americana (jatos da Embraer). |
Energy & Mining | Petróleo bruto, derivados, minérios e terras raras. | Minerais cruciais para a transição tecnológica e segurança industrial de Washington. |
Indústria Química | Fertilizantes, compostos químicos orgânicos e fármacos. | Insumos fundamentais para sustentar a própria produtividade agrícola e médica americana. |
Nota de Segurança Nacional: Além das isenções listadas, a nova taxa de 25% não será aplicada a produtos que já estão sob tarifas vinculadas à segurança nacional (Seção 232), o que mantém inalterado o status quo de exportações sensíveis como aço, alumínio, cobre, veículos e autopeças.
Pix e Regulação Digital no Alvo de Washington
Apesar do alívio nas commodities, o tom do relatório da administração Trump foi duro. O USTR criticou abertamente o Banco Central do Brasil, acusando o órgão de exercer um papel duplo (regulador e operador) que daria tratamento preferencial e injusto ao Pix em detrimento de empresas norte-americanas de cartões de crédito e pagamentos eletrônicos.
A atuação do Judiciário brasileiro sobre redes sociais e as barreiras ao mercado de etanol também foram classificadas como "irrazoáveis". A nova barreira tarifária de 25% surge como uma substituta para a tarifa de 50% imposta por Trump no ano passado — que havia sido derrubada pela Suprema Corte dos EUA em fevereiro deste ano após uma acirrada disputa jurídica envolvendo sanções políticas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integrantes do governo federal vêm tentando mitigar as sanções por meio de um grupo de trabalho bilateral ativado após o encontro presidencial na Casa Branca, em 7 de maio. Contudo, as conversas de bastidores ainda não foram suficientes para anular totalmente a retaliação de Washington.
O Cronograma da Disputa Comercial
As tarifas propostas ainda não entraram em vigor e passarão por um rito oficial de negociação antes do martelo final:
Até 1º de julho de 2026: Prazo para empresas e o governo brasileiro enviarem comentários e contestações por escrito ao USTR.
6 de julho de 2026: Realização de uma audiência pública formal em Washington para ouvir os setores afetados.
15 de julho de 2026: Prazo limite para a decisão definitiva do governo Trump sobre a aplicação e o escopo final da taxação.
Fontes de Consulta
Office of the United States Trade Representative (USTR) – Relatório de Investigação da Seção 301 sobre Práticas Comerciais do Brasil (Publicado em 01/06/2026).
Agência Reuters – Cobertura internacional sobre a proposta de tarifas aduaneiras da Administração Trump contra importações brasileiras (02/06/2026).
Jornal Valor Econômico e Revista Veja – Análise técnica da lista de exceções e do peso das commodities poupadas (02/06/2026).
Suprema Corte dos Estados Unidos (SCOTUS) – Acórdão de Fevereiro de 2026 referente à derrubada de tarifas baseadas na IEEPA.
Comunicados Oficiais do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) sobre o Grupo de Trabalho Bilateral Brasil-EUA (Maio/2026).




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