Tragédia no Recreio: ANAC Investiga se Helicópteros que Colidiram no Rio Faziam Táxi-Aéreo Clandestino
O acidente que vitimou seis pessoas — incluindo o cantor norte-americano Oliver Tree e o influenciador argentino Gaspi — acende o alerta máximo das autoridades aeronáuticas para a contratação irregular de voos privados.

A colisão aérea entre dois helicópteros na manhã do último domingo, 14 de junho de 2026, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio de Janeiro, acionou uma força-tarefa de investigação que vai além de falhas humanas ou mecânicas. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) confirmou que abriu uma apuração paralela para determinar se pelo menos uma das aeronaves operava em esquema de TACA (Transporte Aéreo Clandestino).
A declaração oficial foi dada pelo diretor-presidente da agência reguladora, Tiago Faierstein. Embora tanto os pilotos quanto os planos de manutenção das duas aeronaves estivessem formalmente regulares junto ao Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), o foco da fiscalização está em descobrir se o voo que transportava celebridades internacionais foi comercializado de maneira disfarçada, o que configura crime e infração gravíssima.
A Dinâmica do Acidente e o Impacto no Solo
O acidente ocorreu por volta das 8h59, na altura da Avenida das Américas. Segundo testemunhas e gravações de câmeras de segurança de condomínios da região, os dois helicópteros voavam em sentidos opostos quando se chocaram no ar.
Os destroços caíram sobre o pátio de uma concessionária de veículos elétricos e em um terreno de uma antiga igreja abandonada. O impacto de uma das aeronaves gerou uma forte explosão instantânea que se alastrou e destruiu pelo menos 20 carros que estavam estacionados no local. O Quartel de Bombeiros do Recreio, com o apoio do Grupo de Operações Especiais (GOEsp), mobilizou 45 militares e 15 viaturas para conter o incêndio e fazer o resgate das vítimas presas às ferragens. Não houve sobreviventes.
Vítimas de Repercussão Internacional
A bordo de uma das aeronaves estava uma comitiva de produtores e artistas internacionais que se dirigia em direção a Angra dos Reis, na Costa Verde fluminense. No total, seis mortes foram confirmadas pelas equipes periciais do Instituto Médico-Legal (IML):
Ocupantes da Aeronave com Passageiros:
Alexandre Souza: Piloto brasileiro.
Nickel Oliver Tree (Oliver Tree): Cantor, compositor e produtor musical norte-americano de grande sucesso global nas plataformas digitais.
Gaspar Prim Díaz (Gaspi): Youtuber e criador de conteúdo argentino amplamente conhecido na América Latina.
Lucas Brito Chaves (Lucas Frota): Produtor musical brasileiro.
Lucas Vignale: Diretor de videoclipes argentino.
Ocupante da Segunda Aeronave:
Charles Marsillac: Piloto brasileiro que voava sozinho no segundo helicóptero.
O X da Questão: O Perigo Oculto do "TACA"
A principal linha de investigação da ANAC concentra-se em mapear a cadeia de contratação da viagem. No Brasil, aeronaves de categoria privada (TPX) não podem, sob hipótese alguma, cobrar passagens, fretes ou comercializar assentos. Para realizar o transporte público de passageiros, a empresa precisa ter uma certificação de Táxi-Aéreo (TPM), que exige requisitos de segurança, seguros e auditorias infinitamente mais rígidos.
O que diz a ANAC: "Os pilotos eram experientes e habilitados para esses modelos, e as aeronaves estavam com os certificados de aeronavegabilidade ativos. Porém, precisamos verificar se a aeronave que levava os passageiros estava realizando o transporte aéreo clandestino. Já tínhamos denúncias e investigações em curso sobre essa modalidade na região", explicou o diretor-presidente Tiago Faierstein.
Se ficar comprovado que os artistas ou seus representantes pagaram pelo voo de forma direta ou oculta para uma empresa ou indivíduo que não possui licença de táxi-aéreo, o proprietário do helicóptero responderá administrativa e criminalmente por exercício ilegal da atividade e por colocar vidas em risco.
Investigação Criminal e Aeronáutica em Andamento
As investigações técnicas dos fatores que causaram a colisão no ar estão sendo lideradas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), por meio de sua divisão regional, o SERIPA 3. Investigadores já realizaram a coleta de evidências no local, análise dos destroços espalhados por centenas de metros e checagem dos planos de voo.
Paralelamente, a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro instaurou um inquérito para apurar as responsabilidades criminais do ocorrido. O cruzamento dos dados coletados pela perícia mecânica com os contratos financeiros apurados pela ANAC ditará os rumos da responsabilização jurídica de uma das maiores tragédias aéreas da história recente da capital fluminense.
Fontes de Consulta
Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) – Pronunciamento Oficial do Diretor-Presidente Tiago Faierstein (Junho/2026)
Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) – Relatório Preliminar de Ação Inicial do SERIPA 3
Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) – Registro de Ocorrência da Avenida das Américas (Recreio dos Bandeirantes)
Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) – Consulta de Matrículas das Aeronaves PR-DJJ e PP-MAC
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