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A “captura” da Frente Parlamentar e a tentativa de decidirem o futuro do mutualismo SEM o mutualismo

  • 6 de abr.
  • 2 min de leitura

Mais uma vez o mutualismo chegou ao Congresso. Mas não se engane: o que está acontecendo ali não é exatamente um avanço institucional, mas sim, uma disputa de poder.


E, como toda disputa que acontece em Brasília, ela não começou no plenário. Começou nos bastidores.


A criação da Frente Parlamentar em Defesa do Mutualismo, lançada no dia 18 de março, poderia ter sido o marco de um novo ciclo: mais diálogo, mais organização, mais proporcionalidade, mais segurança jurídica.


No entanto o que marcou o nascimento dessa Frente, foi a segregação e a disputa – um espaço conduzido de forma restrita, articulado longe do conhecimento e da participação da maior parte do próprio segmento.


A tentativa de um grupo, de decidir o futuro do mutualismo sem o mutualismo! Enquanto isso, do lado de fora, as pequenas e médias associações, em suas realidades fragmentadas e imperfeitas, mas lutando por sobrevivência. Somando milhões de associados e uma função social que ninguém mais conseguiu cumprir com a mesma capilaridade.


E é exatamente esse mercado que agora corre risco.


Porque o que está em jogo não é apenas “regulamentar”, mas sim definir quem fica e quem sai.


É escolher se o mutualismo continuará sendo um modelo acessível, construído por pequenas e médias associações espalhadas pelo país — ou se será “reorganizado” para caber nas mãos de um Grupo de 10 (ou 20, mas poucos).


O discurso é de técnica.

Mas o movimento é puramente político, e sempre foi.


Portanto, vamos dizer com todas as letras e desenhar se preciso for, para que todos possam compreender que:

REGULAÇÃO SEM PROPORCIONALIDADE NÃO ORGANIZA — ELA CONCENTRA.


Não se trata de defender ausência de regras. O segmento precisa, sim, de parâmetros, transparência e governança. Mas há uma diferença brutal entre organizar e excluir. Uma regulação que ignora a realidade das associações menores não corrige distorções — ela elimina concorrência.


E, no processo, elimina também o acesso de milhares de associados a uma alternativa que, na prática, foi construída fora do sistema tradicional justamente porque ele não os atendia.


O mais curioso (ou talvez o mais previsível), é que essa disputa ainda não tem um vencedor definido. De um lado, há quem tente consolidar uma narrativa de representação única. De outro, há quem resista e busque manter o segmento plural, com uma economia solidária e horizontal (ou talvez busque). E no meio disso tudo, o Congresso testa, observa e mede forças.


Porque, no fim do dia, Brasília não escolhe discursos, ela escolhe quem se sustenta. E voltamos então o debate para o nosso velho e conhecido problema de sempre. Se o setor continuar fragmentado, alguém vai escolher por ele. E quando isso acontece, o resultado raramente é equilibrado e atende ao coletivo.


O mutualismo chegou ao Congresso. Agora precisa decidir se vai ocupar o seu espaço — ou se vai continuar sendo servido como pauta.

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