Bolsa freia alta e dólar cai para menos de R$ 5
O mercado financeiro viveu um dia de ajustes e cautela no Brasil. Depois da disparada histórica registrada na abertura da semana, o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, fechou em leve queda de 0,52%, aos 205,8 mil pontos. Enquanto os investidores pisaram no freio das ações, a moeda americana manteve a trajetória de queda e encerrou negociada a R$ 4,97 — rompendo o piso de cinco reais e atingindo a menor cotação em cinco meses.

O movimento no pregão reflete o que os analistas chamam de realização de lucros (momento em que investidores vendem papéis que subiram muito para garantir o ganho no bolso). Na segunda-feira, a reação imediata ao primeiro turno das eleições presidenciais havia provocado um rali (termo em inglês para uma disparada rápida e contínua de preços), fazendo a bolsa saltar mais de 14 mil pontos em uma única sessão. Passada a euforia inicial, o mercado aproveitou para calibrar posições e avaliar os próximos passos da disputa pelo Palácio do Planalto.
Ajuste nas ações e peso das estatais
A pausa no crescimento do Ibovespa foi puxada principalmente por ações de grandes empresas estatais e companhias ligadas a commodities (matérias-primas negociadas no mercado global, como petróleo e minério de ferro).
Petrobras e Vale: Acompanharam a oscilação internacional do barril de petróleo e a cautela com a demanda externa, fechando o dia no campo negativo.
Banco do Brasil: Liderou as perdas entre os grandes bancos, sofrendo pressão adicional após relatórios internacionais rebaixarem a recomendação das suas ações de neutra para underweight (classificação em inglês que indica recomendação de venda ou exposição menor do que a média).
Bancos privados: Na contramão, instituições privadas como Itaú e Bradesco sustentaram ganhos firmes, refletindo a visão do mercado de que o setor financeiro se mantém sólido independentemente do cenário político.

Por que o dólar afundou?
O recuo da moeda norte-americana para R$ 4,97 decorre de uma soma de fatores internos e externos. No cenário nacional, os investidores precificam a expectativa de um Congresso com perfil favorável ao equilíbrio das contas públicas a partir de 2027, o que atrai capital estrangeiro para os ativos locais.
No exterior, o dólar também perdeu força frente às principais moedas globais. Os rendimentos dos títulos do governo norte-americano recuaram diante das apostas de que o Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos) poderá interromper o ciclo de alta nas taxas de juros, tornando os mercados emergentes, como o Brasil, mais atrativos para os fluxos internacionais.
Com o segundo turno eleitoral marcado para o fim do mês, analistas apontam que a volatilidade deve continuar alta. O foco dos operadores agora se volta para os planos econômicos apresentados pelos candidatos, especialmente nos temas ligados à responsabilidade fiscal (controle dos gastos do governo) e reformas estruturais.
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