Megaoperação ‘Coluna Sul’: Ofensiva Histórica do Gaeco Cumpre 320 Mandados Contra o PCC em Seis Estados

Em uma ação sem precedentes para frear a expansão da maior facção criminosa do país, mais de 650 agentes de segurança foram às ruas na manhã desta quarta-feira (1º). A operação registrou confronto armado no Paraná e descortinou o plano de domínio territorial do grupo no Sul e Centro-Oeste.
A manhã desta quarta-feira (1º de julho de 2026) começou sob o som de rotores de helicópteros e sirenes em seis estados brasileiros. Em uma resposta direta e coordenada contra o avanço do Primeiro Comando da Capital (PCC), o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) deflagrou a Operação Coluna Sul. Trata-se da maior ofensiva já realizada pela força-tarefa catarinense em toda a sua história.
Com um planejamento estratégico digno de operações de guerra, a Justiça expediu 320 mandados judiciais, sendo 151 de prisão temporária e 169 de busca e apreensão. O alvo é claro: asfixiar a estrutura logística e o comando da facção criminosa em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.
O Aparato de Segurança e o Confronto no Paraná
Apenas em Santa Catarina, o epicentro das investigações, o impacto visual da operação deu a tônica da gravidade da situação. Foram mobilizados 103 promotores e agentes do Gaeco, apoiados por aproximadamente 552 policiais (Civis, Militares e Penais), 198 viaturas e dois helicópteros. Para garantir que as ordens judiciais fossem cumpridas simultaneamente e sem vazamento de informações, o MPSC instalou bases operacionais em Florianópolis, Joinville, Lages, Chapecó e São Miguel do Oeste.
Apesar do forte esquema de inteligência, o cumprimento dos mandados não ocorreu sem resistência. No Paraná, equipes táticas do Gaeco foram recebidas a tiros durante uma incursão. Segundo as autoridades, os agentes precisaram reagir à agressão. Um suspeito, apontado como integrante da facção, foi morto no local. Ele utilizava uma pistola equipada com seletor de rajada — armamento com poder de fogo devastador e comumente utilizado em conflitos de guerrilha urbana. Nenhum policial ficou ferido na ação.
Por que "Coluna Sul"?
O nome de batismo da operação não é por acaso. No jargão do crime organizado, "Coluna Sul" refere-se ao território estratégico que a facção tenta dominar para garantir o monopólio da rota do tráfico e o controle do crime na região Sul e Centro-Oeste do país.
As investigações que culminaram nas prisões de hoje não são recentes. Elas representam um desdobramento direto da Operação Maserati, deflagrada em fevereiro de 2021. De lá para cá, o setor de inteligência do Ministério Público mapeou minuciosamente como os líderes do grupo, mesmo detidos, continuavam articulando crimes como tráfico de drogas em larga escala, homicídios contra rivais, associação para o tráfico e porte ilegal de armas de fogo.
Inclusive, os primeiros registros da operação de hoje indicam que mandados também foram cumpridos dentro do sistema penitenciário contra lideranças que operavam por trás das grades, evidenciando o desafio crônico do Estado em isolar as comunicações das prisões de segurança máxima.
Próximos Passos e Impacto
Todo o material apreendido — que inclui dispositivos eletrônicos, armas de fogo, cadernos de contabilidade do crime e drogas — foi encaminhado para a Polícia Científica. A extração de dados de celulares e computadores é considerada a "fase dois" da inteligência investigativa, com a expectativa de que os arquivos digitais revelem novas ramificações financeiras e contas bancárias utilizadas para lavagem de dinheiro.
A Operação Coluna Sul envia uma mensagem rígida e institucional: o Estado brasileiro, através da integração de suas polícias e promotorias, tem capacidade de resposta asfixiante contra as tentativas de institucionalização do crime organizado no país. Fontes Consultadas:
Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) - Comunicados Oficiais do GAECO e MPSC (01/07/2026).




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