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Operação Miragem: PF Mira Fraude Contábil em Banco de Edir Macedo e Bloqueia R$ 670 Milhões

  • há 4 horas
  • 3 min de leitura

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (23 de junho de 2026), a Operação Miragem, com o objetivo de desarticular um esquema de fraudes contábeis e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O principal alvo das investigações é o Banco Digimais (antigo Banco Renner), instituição financeira controlada integralmente pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus.

Por determinação da Justiça Federal de São Paulo, foram bloqueados e sequestrados bens e valores dos investigados no montante de até R$ 670,3 milhões. A ação mobilizou mais de 50 policiais federais para o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão, além do afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos.

 Operação Miragem: PF cumpre mandados em São Paulo para apurar fraudes no Sistema Financeiro.. Source: RODOLFO BUHRER / REUTERS


O Alvo e o Rombo: Balanços Manipulados e "Patrimônio Fantasma"

As investigações da Polícia Federal foram fortemente subsidiadas por relatórios de fiscalização produzidos pelo Banco Central do Brasil (BC). Os documentos técnicos apontaram graves irregularidades e indícios substanciais de maquiagem contábil na condução dos negócios pelos administradores do Banco Digimais.

Segundo a PF, o esquema consistia na manipulação sistemática de balanços e resultados financeiros. O objetivo central era ocultar a real deterioração econômico-financeira da instituição, sustentando uma falsa aparência de solvência e liquidez perante os órgãos de supervisão e o mercado.

Essa engenharia financeira permitia:

  • Supervalorização de Ativos: Registro de carteiras de crédito e títulos por valores muito acima do real valor de mercado.

  • Geração Artificial de Receitas: Lançamentos contábeis fictícios que inflavam o patrimônio líquido do banco na casa dos centenas de milhões de reais.

  • Ocultação de Prejuízos: Uso de fundos de investimento de fachada para repassar e esconder créditos podres ou vencidos.

  •  O bispo Edir Macedo assumiu o controle integral do Banco Digimais em 2020.. Source: revista piauí - UOL


O Efeito Cascata: Riscos Elevados e a Sombra do Banco Master

De acordo com o histórico levantado pelos investigadores, após Edir Macedo assumir o controle total da instituição em 2020, o Digimais focou agressivamente em operações de crédito consignado e financiamento de veículos. Para captar recursos e sustentar a expansão, o banco passou a oferecer Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rentabilidades muito acima da média de mercado, ultrapassando 110% do CDI.


A estratégia agressiva expôs o banco a riscos severos de liquidez. O cenário se agravou substancialmente após a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central no final de novembro de 2025. O Digimais mantinha uma exposição estimada em cerca de R$ 600 milhões em carteiras de crédito atreladas ao Master, o que teria acelerado a necessidade de manobras contábeis ilegais para evitar o colapso regulatório.

A PF também apura se operações de crédito vedadas pela legislação foram realizadas para injetar recursos ilegalmente em benefício direto da empresa controladora do grupo.


Tipificação dos Crimes e Próximos Passos

Os executivos e controladores do Banco Digimais estão sendo investigados com base na Lei nº 7.492/1986, que rege os crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Na medida de suas responsabilidades individuais, os alvos poderão responder por uma série de delitos graves:

Crime (Lei 7.492/86)

Descrição Contábil/Jurídica

Gestão Fraudulenta

Condução de instituição financeira de forma desonesta, lesando correntistas e investidores.

Inserção de Dados Falsos

Manipulação de demonstrativos e relatórios oficiais enviados ao Banco Central.

Operação de Crédito Vedada

Concessão de empréstimos ou adiantamentos proibidos por lei para partes relacionadas ou controladoras.

Entre os alvos dos mandados de busca em São Paulo figuram dirigentes de alta confiança do grupo, como o bispo João Urbaneja, seu filho Thiago Urbaneja, e executivos financeiros ligados à gestão de fundos associados ao banco.


O controlador principal, Edir Macedo, é formalmente investigado devido à sua posição de controle acionário direto. Ele não foi alvo de mandados de busca e apreensão pessoais nesta data pelo fato de residir oficialmente fora do território brasileiro. A defesa dos citados e a administração do Banco Digimais ainda não haviam se manifestado publicamente até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto para atualizações.


Fontes de Consulta

  • Polícia Federal (PF) – Nota Oficial de Deflagração da Operação Miragem (23/06/2026).

  • Banco Central do Brasil (BC) – Relatórios de Fiscalização e Atas de Supervisão Contábil.

  • Lei nº 7.492/1986 (Lei dos Crimes Colarinho Branco) – Presidência da República.


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